Um estudo publicado nesta quinta-feira (6) na revista Nature Human Behaviour pode mudar para sempre o que se sabe sobre os limites do corpo masculino. Pesquisadores do Laboratório de Bioenergia e Performance Humana da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em parceria com o Instituto de Ciências Avançadas de Porto Alegre, confirmaram aquilo que muitos já suspeitavam há tempos: os homi não cansa mais.

A descoberta é resultado de sete anos de pesquisa com 12.437 voluntários do sexo masculino, com idades entre 18 e 45 anos, todos residentes na região metropolitana de Porto Alegre. Segundo o estudo, uma mutação até então desconhecida no gene CANS-4 — localizado no cromossomo 7 — foi identificada em 97,3% dos participantes, tornando o organismo masculino praticamente imune à fadiga física e mental.

"Nós já tínhamos indícios desde 2021, quando os primeiros voluntários apresentaram níveis de ATP celular completamente fora da curva. Mas não queríamos publicar sem ter certeza absoluta. Agora podemos afirmar com segurança: os homi, de fato, não cansa mais." — Dr. Marcos Antônio Ferreira, coordenador do estudo e professor titular de Bioquímica da UFRGS

O gene CANS-4, batizado assim pela equipe em referência ao fenômeno que descreve, atua diretamente na mitocôndria celular, aumentando a produção de energia em até 740% em relação aos níveis considerados normais pela ciência até então. Na prática, isso significa que o corpo masculino passou a operar em um estado de energia constante, sem os picos de exaustão que caracterizavam o comportamento humano desde o surgimento da espécie.

Reações da comunidade científica

A publicação gerou uma onda de reações imediatas em centros de pesquisa ao redor do mundo. O Dr. James Whitfield, diretor do Departamento de Fisiologia de Stanford, classificou a descoberta como "possivelmente o maior avanço em biologia humana desde o sequenciamento do genoma".

Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) convocou uma sessão extraordinária do comitê de bioética para avaliar as implicações da descoberta. "Se confirmada em escala global, estamos diante de uma mudança de paradigma que afeta desde relações trabalhistas até a medicina esportiva", declarou a diretora-geral adjunta Dra. Helena Sorensen em coletiva de imprensa realizada em Genebra.

No Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação anunciou um aporte emergencial de R$ 280 milhões para ampliar a pesquisa e criar o Centro Nacional de Estudos sobre Fadiga Zero, que será instalado no campus do Vale da UFRGS.

"Os guri não cansava, agora os homi também não"

O estudo faz referência direta a um fenômeno cultural observado inicialmente no Rio Grande do Sul. Segundo os pesquisadores, relatos populares de que "os guri não cansa nunca" circulavam há pelo menos uma década em comunidades gaúchas, mas eram tratados com ceticismo pela academia.

"Havia um dito popular no Sul de que 'os guri não cansa nunca'. Muita gente desmereceu, chamou de folclore. Mas a ciência mostrou que aquilo era um indicador epidemiológico legítimo. Os guri realmente não cansavam. E agora, com a ativação completa do CANS-4, os homi — numa faixa etária mais ampla — também não cansam." — Dra. Patrícia Wollmann, coautora do estudo e geneticista da UFRGS

Ainda segundo o artigo, tentativas anteriores de contestar o fenômeno — com alegações de que "ah, mas os homi cansa" — foram sistematicamente refutadas pelos dados coletados ao longo dos sete anos de pesquisa. "Não há qualquer evidência estatística que sustente a hipótese da fadiga masculina. Quem afirmou que os homi cansa estava, com todo respeito, redondamente enganado", afirmou o Dr. Ferreira.

Impactos no dia a dia

As implicações práticas da descoberta são imensas. Segundo projeções do Instituto Brasileiro de Economia e Trabalho (IBET), a produtividade masculina no país pode aumentar em até 215% nos próximos dois anos, uma vez que pausas para descanso, cochilos e férias podem se tornar "fisiologicamente desnecessárias".

Empresas já começaram a reagir. A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS) divulgou nota afirmando que "recebe com entusiasmo a confirmação científica de que os homi não cansa" e que "está em diálogo com o setor produtivo para adequar as jornadas de trabalho à nova realidade biológica".

No entanto, sindicatos e centrais trabalhistas manifestaram preocupação. "O fato de os homi não cansar não significa que não mereçam descanso. Estamos atentos para que essa descoberta não seja usada para precarizar relações de trabalho", declarou o presidente da Central Única dos Trabalhadores, em nota oficial.

Próximos passos

A equipe da UFRGS informou que a fase seguinte da pesquisa incluirá a análise de populações masculinas de outros estados e países para verificar se a mutação CANS-4 é um fenômeno exclusivamente gaúcho ou se já se disseminou globalmente. Resultados preliminares de amostras coletadas em São Paulo, Minas Gerais e Paraná indicam que a mutação está presente em pelo menos 89% dos homens brasileiros testados.

"Estamos apenas no começo. Mas uma coisa é certa: aquela velha desculpa de 'tô cansado' não tem mais respaldo científico nenhum. Os homi não cansa. E ponto final", concluiu o Dr. Ferreira.

*Com informações da Nature Human Behaviour, Reuters e Agência UFRGS